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domingo, 12 de outubro de 2014

“A Festa de Babette - No Banquete com o Pai…”

babette (1)Salmo 23.5; “Preparas-me uma mesa na presença dos meus adversários, unges-me a cabeça com óleo; o meu cálice transborda”.

Isaías 25.6; “O SENHOR dos Exércitos dará neste monte a todos os povos um banquete de coisas gordurosas, uma festa com vinhos velhos, pratos gordurosos com tutanos e vinhos velhos bem clarificados”.

 

“A Festa de Babette”, acontece no início do sáculo XX numa pobre aldeia de pescadores no litoral da Dinamarca. Um local de ruas cheias de lama e com cabanas cobertas de palha. Ali, um velho pastor, já com barbas brancas, liderava um grupo de crentes de uma severa e assim chamada no filme “seita luterana”. (Na Dinamarca, 88% da população é Cristã, dos quais 87%, são Luteranos) Todos os domingos, o grupo se reunia e cantava hinos do tipo; “Estamos no mundo, mas dele não somos, aqui nós vivemos distantes do lar…”.

O velho pastor viúvo, tinha duas filhas adolescentes; Martine, chamada assim por causa de Martinho Lutero, e Philippa, por causa do discípulo de Lutero, Philip Melanchton.

Depois do falecimento do pai, as duas irmãs, agora solteironas de meia-idade, tentavam continuar com a missão, mas, sem a liderança do velho pai, a igrejinha foi se acabando; Um irmão tinha queixas de outro por causa de algum negócio mal feito... Haviam boatos de que havia um caso de traição conjugal envolvendo pessoas da comunidade... Duas senhoras ‘muito queridas’ já não se falavam há anos...

Aconteceu que, numa noite chuvosa, bate à porta das irmãs Martine e Philippa, uma mulher estrangeira em busca de refúgio. A mulher entregou a elas uma carta onde estava escrito que seu nome era Babette, e que ela havia perdido o marido e filho durante a guerra civil da França. Com a vida em perigo, tivera de fugir, e alguém lhe arranjara uma passagem em um navio com esperança de que a pequena aldeia lhe demonstrasse compaixão. No rodapé da carta estava escrito; “PS: Babette sabe cozinhar”.

Durante os doze anos seguintes Babette trabalhou para as irmãs em troca de abrigo e comida. Um dia Babette recebeu uma carta onde um amigo lhe dizia que, durante todos estes anos, ele renovava o número de Babette na loteria francesa, e que, naquele ano, o bilhete de Babette fora premiado, e ela ganhara 10.000,00 francos. Uma pequena fortuna na época (Aprox. R$700.000,00).

Justamente naqueles dias as irmãs estavam pensando em preparar uma celebração em homenagem ao centenário do nascimento de seu pai. Por isso, Babette lhes fez um pedido; “Gostaria de preparar uma refeição para o culto de aniversário. Quero cozinhar a melhor refeição francesa para todos”.

Martine e Philippa, num primeiro momento, temendo ferir alguma lei divina ao aceitar um jantar francês, demonstram receio e insegurança. Elas tiveram que explicar a embaraçosa situação aos poucos membros da igrejinha que, por fim, concordaram.

Nevava no dia 15 de dezembro, o dia do jantar, o que deixava a paisagem com um charme todo especial. As irmãs ficaram satisfeitíssimas ao saber que um hóspede inesperado aparecera naquela noite e o convidaram a se juntar a elas no jantar. Era um oficial de cavalaria dinamarquesa que agora era general no palácio do rei.

babetteBabette havia conseguido louças e cristais, e havia enfeitado o recinto com velas e todos os ornamentos possíveis. A mesa estava linda. Quando o banquete começou todos os pobres habitantes da aldeia ficaram mudos, como quem vê algo nunca antes sonhado… algo totalmente novo e delicioso... Um Banquete repleto das melhores comidas e dos melhores vinhos e champagnes que aqueles humildes pescadores jamais haviam provado. Apenas o general elogiou a comida e a bebida; “É o mais fino Banquete que já provei” ele disse.

Embora ninguém mais falasse a respeito da comida ou da bebida, gradualmente o banquete operou um efeito mágico sobre os habitantes da aldeia. O sangue esquentou. As línguas se soltaram e eles começaram a lembrar dos velhos tempos quando o pastor ainda estava vivo…

Aquele Banquete era especial demais... Até o irmão que havia enganado o outro nos negócios ali, naquele momento, finalmente confessou e foi perdoado... A história de traição foi finalmente esclarecia e todos se desculparam... As duas mulheres que tinham uma rixa de dez anos voltaram a conversar como se nada tivesse acontecido entre elas... Até mesmo quando uma mulher, sem querer, arrotou, o irmão ao seu lado disse, bem-humorado; “Aleluia!”, coisa que nunca acontecera antes...

O fino general, por sua vez, não conseguia falar de nada além de elogiar a comida. Quando o ajudante da cozinha trouxe o “coup de grâce” e codornizes preparadas num finíssimo molho, o general exclamou que havia visto tal prato apenas em um lugar na Europa, no famoso Café Anglais em Paris. E comentou; “O Café Anglais já foi célebre por ter uma mulher como chefe-de-cozinha”.

Feliz, cheio de vinho, o apetite satisfeito, incapaz de se conter, o general levantou-se para fazer um discurso. Ele disse; “A misericórdia e a verdade, meus amigos, se encontraram aqui…”. Então o general fez uma pausa, pois ele tinha o hábito de fazer os seus discursos com cuidado, consciente do seu propósito, mas aqui, no meio da pequena e ortodoxa congregação do velho pastor, foi como se toda a figura do General, com seu peito coberto de condecorações, fosse porta-voz de uma mensagem que precisava ser transmitida àquele povo; “Todos nós fomos informados de que a graça deve ser buscada no céu. Mas em nossa loucura humana e nossa visão reduzida imaginamos que a graça divina seja finita e limitada ao futuro... Que está lá longe… Porém, chega o momento em que nossos olhos são abertos, nosso coração é aquecido… Só aí vemos e entendemos que a graça é infinita e ilimitada... Ela já está aqui, pois o reino de Deus está entre vocês…”. Finalizando, o general acrescentou; “A graça, meus amigos, não exige nada de nós a não ser que a aguardemos com confiança e a reconheçamos com gratidão…”

No discurso do general, a autora da trama, Isak Dinesen, não deixa dúvidas de que escreveu “A Festa de Babette” não apenas como uma história a respeito de uma excelente refeição, mas como uma Parábola da graça de Deus - Como a parábola do Banquete de Jesus; um presente que custa tudo para o doador e não custa nada para quem o recebe…

Assim, como algo mágico e maravilhoso, aquelas pessoas puderam sentir ‘uma pitadinha do céu’ da forma como o reino de Deus foi contado pelo Poeta no salmo 23, por Isaías e pelo próprio Cristo; Como um Grande Banquete com as melhores delícias cujo valor ignoramos…

O Filme “A Festa de Babette” termina com duas cenas;

- Numa delas, lá fora, os pobres e velhos pescadores dão as mãos ao redor da fonte de água e cantam entusiasmados os velhos hinos de seus hinários luteranos. É uma cena de absoluta comunhão… A Graça de Deus entrou naqueles corações... Eles sentiram como se realmente tivessem os seus pecados lavados e tornados brancos como a lã, e nessas vestes inocentes, as vestes do cordeiro que agora vestiam, faziam brincadeiras como cordeirinhos travessos pelos campos verdejantes e águas tranquilas descritas no Salmo 23. Tudo isso firmava neles a certeza de que; “Bondade e misericórdia certamente me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na Casa do SENHOR para todo o sempre” (Sl 23.6).

- A ultima cena do filme acontece lá dentro, na bagunça de uma cozinha cheia até o teto de louças para lavar, panelas engorduradas, conchas, ossos cartilaginosos, engradados quebrados, cascas de vegetais e garrafas vazias… Babette senta-se no meio da bagunça, parecendo tão desgastada quanto na noite em que chegara à aldeia, doze anos antes.

“- Foi um jantar e tanto!” – diz Martine.

Babette parece distante. Depois de um minuto ela responde;

“- Eu era a cozinheira que tornou famoso o Café Anglais do qual o general falou”.

“- Todos nós lembraremos desta noite depois que você tiver voltado para Paris!” - Martine acrescenta, como se não a tivesse ouvido.

Babette então lhes diz que não vai voltar para Paris… Praticamente todos os seus amigos e parentes ali foram mortos ou feitos prisioneiros. E, naturalmente, seria muito cara uma viagem de volta para Paris.

“- Mas e os dez mil francos?” - as irmãs perguntam.

Então Babette revela; Havia gasto tudo, cada centavo de franco que ganhara, na comida que haviam acabado de devorar.

“- Não se assustem…” - ela diz - É isso que custa um jantar adequado no Café Anglais”.

Doze anos antes daquela Festa, Babette aparecera entre aquelas pessoas que conheciam a graça apenas na teoria. Eram discípulas de Lutero, que ouviam sermões a respeito da infinita graça de Deus em Jesus Cristo quase todos os domingos, mas que, no restante da semana, tentavam obter o favor de Deus com a sua própria piedade e esforço… Mas a graça de Deus veio a elas na forma de um Banquete – “A festa de Babette”. Ela gastou tudo o que tinha de uma vida inteira a fim de proporcionar alegria àqueles que nem a haviam merecido, que mal possuíam a capacidade de recebê-la ou reconhecer o valor. Pobres, desdentados e maltrapilhos das beiras das estradas.

No entanto, para Deus essas pessoas são dignas, pois aceitaram o convite e, como escreve João; “… Estas são as pessoas que lavaram as suas roupas no sangue do Cordeiro, e elas ficaram brancas. …” (Ap 7.14).

A graça de Deus foi demonstrada e veio àquelas pessoas da pequena aldeia dinamarquesa como sempre vem e virá para a Eternidade; Livre de pagamento, sem cordas amarradas… O mais fino prato (de um famoso restaurante francês) como ‘Cortesia da casa’. Essa graça é para você também. Deus te convida; “Vinde, pois tudo está preparado!”. Assim, sem merecimento próprio, nós já fazemos parte do divino Banquete... Se não estivermos ocupados demais...

(Adapt. “A Festa de Babette” em; Maravilhosa graça de Philiph Yancey)

festa de babette(O filme “A festa de Babette”, de 1987, ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 1988)

 

 

 

 

 

 

Assista o filme;

domingo, 16 de março de 2014

“Olho para os montes e pergunto: ‘De onde virá o meu socorro?’”

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Por Elvio Figur

“Olho para os montes e pergunto: ‘De onde virá o meu socorro?’”

Na ultima semana um alpinista, na Carolina do Norte, nos EUA, sentiu na pele todo o peso e o sentido literal desse versículo do salmo 121. Ele tentava chegar ao topo de uma montanha rochosa e acabou ficando preso em uma fenda na rocha. Foram várias horas aguardando a chegada do resgate que foi feito por especialistas em buscas e salvamentos com o auxilio de um helicóptero. (http://www.tvi24.iol.pt/503/internacional/montanhista-montanha-alpinista-preso-salvamento-tvi24/1544045-4073.html).

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Quantas vezes nós também nos embrenhamos por lugares e em situações complicadas onde não há muito que fazer, a não ser olhar para ‘os montes’ e perguntar; ‘De onde virá o meu socorro’?

Muitas vezes também somos acusados injustamente, seja por pessoas mal intencionadas ou pelo mundo, e nos sentimos desamparados, necessitados de socorro.

Este foi o caso de Glenn Ford, libertado na ultima quarta-feira, dia 12 de março, depois de ter passado quase 30 anos em um corredor da morte, condenado por um crime que não cometeu. O fato ocorreu na Luisiana, EUA.

No dia em que Glenn foi libertado, seu advogado disse; “É um dia maravilhoso! Foi uma espera de décadas... Esperamos que este seja o primeiro dia de uma Nova Vida para Glenn” (http://pt.euronews.com/2014/03/12/glenn-ford-libertado-depois-de-29-anos-no-corredor-da-morte-por-crime-que-nao-cometeu/).

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Martinho Lutero confessou certa vez que, muitas vezes foi levado a orar ‘pela irresistível convicção de que este era o único caminho para onde podia ir’.

Nos dois casos citados, não havia nada o que fazer, a não ser ‘olhar para os montes e esperar por socorro de fora’; O alpinista, por si só, não sairia dali vivo não fosse o resgate da equipe preparada para situações como essa; O condenado a pena de morte apenas aguardava que, por meio do seu advogado, fosse, finalmente, declarado inocente.

O Salmo 121 traz à tona uma situação de incerteza. Mas, ao mesmo tempo, sob qualquer possibilidade de perigo, a resposta é dada com uma resposta confiante, ilimitada e incontestável no poder, na vigilância e no resgate do Senhor que fez céus e terra; ‘O meu socorro vem do Senhor Deus, que fez o céu e a terra’.

Que socorro é este?

Trata-se claramente de proteção para a caminhada da vida, mas trata-se também de uma confiança com relação ao resgate, ao socorro que vem do alto na pessoa de Jesus Cristo. Um resgate da morte iminente do pecador preso nos penhascos do pecado ou nos corredores da morte.

No texto do evangelho deste domingo, Jesus esclarece que a salvação não é alcançada pela nossa ação ou santidade diante de Deus. Mas unicamente pelo resgate proporcionado pelo filho unigênito de Deus que, semelhante ao que ocorreu nos tempos do antigo testamento com a serpente de bronze, foi também levantado sobre uma cruz. E isso para que todo aquele que crer e olhar para a cruz, receba a redenção gratuitamente por fé; “Porque Deus amou o mundo tanto, que deu o seu único Filho, para que todo aquele que nele crer não morra, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). Nascer de novo, como disse Jesus a Nicodemos, está relacionado à fé e à Nova Vida que procedente da Graça ‘resgatadora’ do ‘Senhor Deus, que fez o céu e a terra’.

Nascer de Novo é reconhecer que não temos justiça própria para apresentarmos diante de Deus. E isso implica, necessariamente, em uma completa mudança de pensamento. Uma completa mudança espiritual. Significa apagar todo tipo de desejo de salvar-se a si mesmo e confiar ilimitada e indubitavelmente no poder, na vigilância e no resgate do Senhor que fez céus e terra. Isso é, precisamente, Nascer de Novo.

* * *

O advogado de Glenn, o homem que resgatado do corredor da morte e declarado inocente, disse; “É um dia maravilhoso! Esperamos por isso durante décadas... Esperamos que seja o primeiro dia de uma Nova Vida para Glenn”.

Jesus, o nosso advogado, disse; “O Senhor Deus, que fez o céu e a terra, amou tanto, que deu o seu filho unigênito, para que todos aqueles que crerem nele, não sejam levados à morte, mas que tenham uma Nova Vida que dura eternamente”.

Nascer de Novo é isso. É ‘Ser encontrado’; ‘Ser resgatado’ por Jesus Cristo. É reconhecer que nosso esforço não nos livraria do pecado, e pedir ajuda do alto.

Assim, renascidos e confiantes, nos unimos ao povo peregrino que canta o salmo 121;

1. Para os montes olharei, / de onde me vem salvação?

Meu socorro vem de Deus, / o Senhor da criação.

O Senhor é que te guarda, / guardará de todo o mal,

tua entrada e saída, / desde agora até o final.

2. Pelo meio dos perigos / não te deixará cair.

Quem a Israel guardava, / não dormiu, nem vai dormir.

O Senhor é que te guarda, / guardará de todo o mal,

tua entrada e saída, / desde agora até o final.

3. O Senhor é quem te guarda, / sombra à tua destra está,

nem de dia nem de noite / sol ou lua ofenderá.

O Senhor é que te guarda, / guardará de todo o mal,

tua entrada e saída, / desde agora até o final.

Amém.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Temática da IELB 2014

Cartaz IELB 2014(para web)Leituras bíblicas: Sl 23; Is 49.8-15; Ap 22.1-17; Jo 4.1-15

Texto-base: Isaías 49.10

Tema: Comunicando sempre Jesus – a fonte da água viva.

Walter Adolf Baminger

Introdução

Querido povo de Deus! A água é fundamental para a existência da vida. Quando os pesquisadores enviam uma sonda espacial para um planeta, satélite, cometa ou asteróide, a preocupação primeira é encontrar indícios da existência de água. Caso os indícios sejam positivos a conclusão é imediata: existe possibilidade de existir alguma forma de vida no local.

No deserto a preocupação é semelhante: se, em meio às dunas, as tempestades de areia e o calor sufocante houver um oásis, a vida tem chance de se estabelecer. Do contrário, se só houver sequidão, então a vida desaparece e nada sobrevive ali. No nordeste brasileiro, especialmente na região do agreste, a falta de água provoca situações terríveis e muitos brasileiros foram, e ainda são obrigados a abandonar casas, animais e até mesmo familiares para buscar saída e oportunidades em outros estados onde a água é abundante. Na terra onde o povo de Deus se desenvolveu, e onde o Messias Jesus nasceu, a região hoje conhecida como Palestina, também sofre, há milhares de anos, com a escassez de água. São muitas as citações bíblicas que ressaltam a carência de água na região e como era importante para os habitantes daquelas terras terem acesso a água potável. E a escassez desta água nos leva à preocupação com escassez e falta de outro tipo de água, uma ÁGUA VIVA, que jorra para a Vida Eterna. Por isso, a IELB tem este tema para 2014: Comunicando sempre Jesus – a fonte da água viva.

Desenvolvendo o tema

Quem se apresenta e é apresentado como a fonte da água viva é o próprio Jesus. No texto de Is 49.10, Deus promete a restauração de Jerusalém, com o fim dos sofrimentos, inclusive guiando-a até as fontes de água. E esta fonte de água perene e salvífica é Cristo, o Messias encarnado.

1. Jesus é fonte da água viva.

Jesus convida e promete em João 7.37-38. – “Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Como dizem as Escrituras Sagradas: “Rios de água viva vão jorrar do coração de quem crê em mim”.

Se ele disse ser a fonte da água viva, podemos concluir que haveriam outras fontes das quais as pessoas bebiam. Jeremias 2.13,O meu povo cometeu dois pecados: eles abandonaram a mim, a fonte de água fresca, e cavaram cisternas, cisternas rachadas, que deixam vazar as águas da chuva. Israel, como povo de Deus, havia deixado a Deus para cavar as suas cisternas tentando saciar a sede de sua alma em outros lugares. Se na antiguidade esse povo ao invés de contar com o poder de Deus preferia aliar-se as nações poderosas, agora esse povo vivia em função de uma lei que em muito se distanciava do propósito de Deus. E Jesus alerta que não adiantava querer saciar a sede em qualquer outra fonte que não fosse ele.

Hoje também, existem muitas fontes nas quais o homem tem procurado beber. O homem procura saciar a sua sede em terapias alternativas, como é comum ver as pessoas procurando o zen budismo, as filosofias orientais para diminuir o estresse, buscando o poder dos cristais, meditando em pirâmides, buscando na  ioga um equilíbrio interior, fazendo romarias a lugares santos, procissões em busca de um milagre. Sem contar ainda com alguns colocando copos de água sobre aparelhos para que seja ungida por algum vulgo pastor a quilômetros de distância, para que possa se transformar em água milagrosa. Mas tudo isso é em vão, são cisternas rachadas. As águas dessas cisternas são misturadas, inúteis para saciar a sede da alma. São águas que não curam as enfermidades do espírito. Só Jesus é a fonte da água viva.

2. Jesus é fonte acessível e de graça.

Jesus convida a vir até ele. Se alguém tem sede, venha e beba. Em Ap 22.17 o Espírito e a Noiva dizem: Aquele que tem sede venha. E quem quiser receba de graça da água da vida. É de graça!

Não é preciso fazer nada para ter sua sede saciada por Cristo. DEFINITIVAMENTE, NADA.

Jesus é a fonte que podemos chegar e, beber da água viva. Podemos a qualquer momento beber da água viva. A fonte é acessível e gratuita: se alguém tem sede venha a mim e beba... A qualquer momento, a qualquer hora, em qualquer lugar, sem pagar nada, sem sacrifícios, você pode beber desta água viva.

3. Jesus é fonte inesgotável.

1 Coríntios 10.4, e beberam da mesma bebida espiritual. Pois bebiam daquela rocha espiritual que ia com eles; e a rocha era Cristo. Em João 4.13 e 14, Jesus disse à mulher samaritana junto ao poço de Jacó: Quem beber desta água terá sede de novo, mas a pessoa que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. Porque a água que eu lhe der se tornará nela uma fonte de água que dará vida eterna. Jesus Cristo é fonte eterna por isso é inesgotável. Israel bebeu no deserto de uma fonte espiritual, quando Moisés tocou a rocha e a água jorrou.  E hoje, nós bebemos da mesma fonte, Jesus. Na eternidade beberemos dessa mesma fonte, Jesus. Todas as fontes que o mundo oferece, além de não saciarem a sede do coração do homem, desaparecerão. Jesus é fonte inesgotável de água viva, porque Jesus é o princípio e o fim, o alfa e o ômega. Um dia, todos os livros de meditação virarão pó. Um dia, todos os ensinamentos de Buda serão esquecidos. Um dia, todos os escritos para tentar saciar a sede do homem serão apagados e de nada servirão. Todas as filosofias cessarão. Mas as palavras de Jesus são eternas. Passarão os céus e a terra; mas, as palavras de Jesus não passarão.

Conclusão

Irmãos, Comuniquemos sempre, Jesus – a fonte da água viva.  O mundo precisa, a Igreja precisa, eu preciso, você precisa. Água é imprescindível. Sem ela não há vida! Sem Jesus não dá. Sem a Água Viva, não há vida espiritual, não há salvação, não há vida eterna. Água abundante, acessível, de graça, inesgotável. Em 2014 vamos distribuir esta água viva à população para saciar a sede de que muitos sofrem sem esta. Vamos distribuir desta água viva e pura para muitos que estão bebendo de fontes contaminadas e impróprias para consumo dos pecadores. Cristo para todos! Comunicando sempre Jesus – a fonte da água viva. Amém.

domingo, 1 de dezembro de 2013

ADVENTO: Aguardarmos aquele que dá a água da vida

É cada vez mais difícil encontrar água de qualidade para se beber. Há pessoas no mundo inteiro sofrendo com a falta de água. Dados afirmam que metade dos leitos hospitalares do mundo estão ocupados por pessoas que sofrem de enfermidades relacionadas com a má qualidade da água. Por isso, oferecer água de qualidade tem sido uma das principais preocupações do nosso tempo.

Como está a água que você tem bebido? Você não está se contaminando com uma água de má qualidade? Será que alguém consegue viver sem água?

No evangelho de João, no capítulo 4, Jesus defronte a um poço, pediu a uma mulher samaritana que lhe desse um pouco de água. A mulher estranhou o pedido, pois os samaritanos não se relacionavam bem com os Judeus. “Então Jesus disse: — Se você soubesse o que Deus pode dar e quem é que está lhe pedindo água, você pediria, e ele lhe daria a água da vida” (Jo 4.10).

Jesus ofereceu à mulher a água da vida, o seu amor e o seu perdão, e assim, toda a vida daquela mulher seria purificada de seus pecados e de suas falhas. Ao receber a água da vida, ao receber o perdão de Jesus, a mulher percebeu quão suja sua vida estava e o quanto Jesus podia purificá-la.

Nos dias atuais, Jesus continua se aproximando das pessoas, para oferecer a água da vida, oferecer o seu amor e perdão. Beber água de qualidade é vital para o nosso bem-estar, mas beber a água da vida e do perdão de Jesus, oferecida na Bíblia Sagrada, nos garante o amor de Cristo que nos protege em nossa vida aqui, e nos dá a vida eterna.

Pense Nisso! E se você já tem a água da vida, ajude a guiar outros à fonte da Vida!

terça-feira, 19 de novembro de 2013

“Rios Batam Palmas” (Sl 98.8)

Por: Elvio Figur

mapa4Olhando para o globo terrestre, percebo diversas linhas serpenteando e criando caminhos através da paisagem. São linhas curvas, retas, toscas, belas atravessando planícies, desertos e pântanos. Passam ainda por vales, florestas e serras formando belíssimas cachoeiras, corredeiras e calmaria. Estou me referindo às artérias da vida do nosso planeta, os rios.
O Salmo 98, que exalta as maravilhas e convoca todas as criaturas ao louvor da glória de Deus, traz uma expressão em que convida os rios, com todo seu esplendor, a ‘Baterem Palmas’ numa demonstração de adoração e louvor à gloria do seu criador.
Quando os rios batem palmas? Pode um rio bater palmas?
* * *
O profeta Habacuque, em sua oração no final de seu livro descreve o que mais se assemelha a uma ‘revolta’ dos rios e das águas; “É contra os rios, ó Senhor, que estás irado? É contra o mar que estás furioso?... Tu cavas a terra com enchentes. As montanhas te viram e tremeram; uma tromba d’água caiu do céu. As águas debaixo da terra rugiram; as suas ondas imensas se levantaram” (Hc 3.8-10).
Com tantas enchentes, tsunamis e temporais acontecendo, somos levados às mesmas indagações do profeta; “É contra os rios, ó Senhor, que estás irado? É contra o mar que estás furioso?” O mundo, com frequência, chora e fica espantado com a força das ondas. Ficamos espantados com a força da natureza e com a pequenez do homem diante dessas forças da natureza.
Quando os rios batem palmas? Pode um rio bater palmas?
Qual deve ser a resposta dos proprietários rurais que veem suas terras alagadas e suas plantações perdidas? O que dizem as donas de casa que veem seus bens comprados com tanto suor perder-se em questão de minutos pela enxurrada? O que pensamos ao ver famílias inteiras serem engolidas pelo barro deslizando sobre suas casas? Não dá nem pra imaginar a tristeza, a impotência e o terror de quem viveu ou vive tudo isso.
Qual a razão de tudo isso? A tendência humana é culpar a Deus. Mas o ser humano se esquece de que tem parte nisso tudo. A razão dessas desgreaças pode ser a mesma dos tempos de Noé: A Maldade humana (Gn 6.7, 12). A razão pode ser a violência contra o homem e contra a natureza, ‘entulhos do consumismo que entopem os rios, ganância que desvia o dinheiro para os bueiros da corrupção, insensatez que não enxerga que todos estão no mesmo barco’ (Marcos Schmidt – Art; ‘Previsão do tempo).
A fúria da natureza não é, necessariamente, ‘castigo’ pelo pecado, mas é sinal de que o fim dos tempos se aproxima, pois “... o Universo todo geme e sofre como uma mulher que está em trabalho de parto” (Rm 8.22) aguardando com muita impaciência “o momento em que Deus vai revelar o que os seus filhos realmente são” (Rm 8.19). Jesus alertou quanto a esses sinais do fim dos tempos; “Em vários lugares haverá grandes tremores de terra, falta de alimentos e epidemias. Acontecerão coisas terríveis, e grandes sinais serão vistos no céu... Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. E, na terra, todas as nações ficarão desesperadas, com medo do terrível barulho do mar e das ondas. Em todo o mundo muitas pessoas desmaiarão de terror ao pensarem no que vai acontecer, pois os poderes do espaço serão abalados” (Lc 21.11, 25, 26).
Com relação a todas essas advertências, Jesus já havia alertado em outro momento para que o seu povo não desesperasse, mas aguardasse sua vinda de maneira prudente. Ele disse; “Como foi no tempo de Noé, assim também será nos dias de antes da vinda do Filho do Homem. Todos comiam e bebiam, e os homens e as mulheres se casavam, até o dia em que Noé entrou na barca. Depois veio o dilúvio e matou a todos” (Lc 17.26 e 27). Assim, o que nós precisamos é nos precaver e ouvir os avisos de Deus enquanto ainda é tempo como Noé que, pela fé, ouviu os avisos e obedeceu a Deus e, por isso, ele e sua família foram salvos (Hb 11.7).
Jesus, ao advertir sobre a fúria dos rios e de toda a natureza, também alertou aos seus ouvintes; “Quando essas coisas começarem a acontecer, fiquem firmes e de cabeça erguida, pois logo vocês serão salvos” (Lc 21.28), e a Arca/Barco, é a Cruz de Cristo que salva por Graça, mediante a Fé...
959481-7616-it2Portanto, primeiramente, ‘os rios batem palmas’ quando nos avisam a respeito do juízo de Deus. Eles nos advertem a que sejamos precavidos e para que confiemos nele que providencia a salvação para todos através de uma ‘arca’, que é o seu próprio filho Jesus Cristo.

Quando os rios batem palmas? Pode um rio bater palmas?
Apesar de serem porta vozes do juízo de Deus, os rios são, principalmente, uma das maiores bênçãos concedidas pelo criador. Os rios são verdadeiras artérias de vida para o nosso planeta. E, nesse sentido, os rios também ‘batem palmas’. Eles confirmam a sabedoria e o poder de Deus, o criador, como diz o salmista; “Levantam os rios, ó Senhor, levantam os rios a sua voz; o mar ergue sua voz e ruge. Mas o Senhor nas alturas é mais poderoso do que a fúria do oceano...” (Sl 93.3 e 4).
Em outro momento o Senhor Deus pergunta ao piedoso Jó; “Quem foi que abriu um canal para deixar cair os aguaceiros e marcou o caminho por onde as tempestades devem passar?” (Jó 38.25). E, é claro, a resposta envolve um complexo sistema que chamamos de ‘ciclo da água’ que envolve evaporação, esfriamento, condensação e formação de nuvens e chuvas. Sobre esse ciclo que obedece a chamada ‘lei da natureza’ firmada pelo próprio Deus (Sl 148.6, 8), a Bíblia diz; “Todos os rios correm para o mar, porém o mar não fica cheio. A água volta para onde nascem os rios e tudo começa outra vez” (Ec 1.7). Nesse ciclo ininterrupto, os rios saciam a sede do homem e fornecem água para suas plantações, e solo fértil a beira dos rios, ideal para a agricultura.
* * *
Os rios são verdadeiras bênçãos, são como artérias de vida no Planeta, além de proporcionar verdadeiros espetáculos aos nossos olhos, como as cataratas do Rio Iguaçu entre outras. Mas eles são também protagonistas de inundações e fúria com suas ondas, muitas vezes, arrasadoras, como os tsunamis. Os Rios e o Mar, são assim, portadores de mensagem de advertência, lei e castigo, e, ao mesmo tempo, são portadores de mensagens de vida, evangelho e graça.
Portanto, ao observá-los, compartilhamos dos sentimentos do salmista que entoou seu louvor dizendo; “Rios batam palmas! Montes, cantem com júbilo na presença do Senhor, porque ele vem julgar a terra; Ele governará os povos do mundo com justiça e de acordo com o que é direito” (Sl 98.8 e 9).
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segunda-feira, 28 de outubro de 2013

From: martinho_lutero@novajerusalem.com – To: todos_os_cristaos@mail.com

Uma das atividades mais exercidas por Martinho Lutero foi escrever correspondências. Por meio delas, Lutero procurava esclarecer as diversas dúvidas levantadas por cristãos de diversas partes da Europa. Abaixo um pequeno exercício que simula uma correspondência eletrônica, e faz referência ao pensamento do Reformador Martinho Lutero.

Por: Elvio Nei Figur

email_logoFrom: martinho_lutero@novajerusalem.com

To: todos_os_cristaos@mail.com

Graça e paz da Parte de Deus e de Jesus Cristo seu Filho e do Espírito Santo a todos vocês, meus amigos em todo o Brasil. Em mais alguns dias vocês irão lembrar de um momento muito importante para a vida e salvação de todos vocês. Por isso achei que seria importante enviar, por este meio moderno e eficiente, esta simples e humilde correspondência onde gostaria de relatar e esclarecer alguns pontos importantes sobre minha vida enquanto estive aí na terra, e sobre o movimento da Reforma da Igreja Cristã.

Em primeiro lugar não me vanglorio por ser considerado o ‘Iniciador’ desse movimento, nem gostaria que vocês me considerassem o ‘mais importante’, ‘santo’ ou qualquer outra coisa parecida por esse motivo. Não estou acima nem ao lado de Cristo, mas muito abaixo dele. O que fiz foi apenas zelar pela única verdade que salva: a verdadeira fé em Cristo Jesus, nosso SENHOR. Fui apenas um servo a serviço de Deus. Também sempre dou graças a Deus por ele ter sido meu protetor e a quem sempre recorri como meu único Deus e Pai.

Minha família sempre foi uma família humilde, mas muito trabalhadora. Me criaram com muito rigor e me instruíram no conhecimento e temor do Senhor. ‘Eles sempre quiseram meu bem estar; suas intenções a meu respeito foram sempre boas; vinham do fundo de seus corações’. Cursei boas escolas, apesar de a disciplina nelas ser muito rígida e agressiva, como daquela na qual fui espancado, me lembro muito bem, quinze vezes numa mesma manhã... Não gosto nem de lembrar...

Mas isso me fez recordar a disciplina e a exigência feita pela Igreja Romana, a qual eu e meus pais freqüentávamos por ser a única existente. Os Padres e o Papa ensinavam que precisávamos nos bater muito e sofrer castigos por causa de nossos pecados para que Deus nos perdoasse. Sempre achei isso um absurdo e um abuso.

‘Terrível. Implacável. Assim eu via o Senhor. Ele nos punia em vida e nos enviava ao purgatório após a morte ou nos enviava para as chamas do inferno antes do descanso eterno. Mas estava errado. Quem vê um Deus enfurecido... não o vê com clareza... mas o vê através de um véu... como se uma tempestade escura escondesse a Sua face...’.

Meu pai sempre quis que eu estudasse direito e fosse um grande homem público. Foi o que fiz, estudei artes e me tornei mestre na área e comecei a dar aulas de Filosofia. Podia, assim, iniciar meus estudos em Direito. Nessa época, quando tinha vinte anos de idade, vi, pela primeira vez, uma Bíblia, só que estava em Latim e poucos a podiam ler.

Em todos estes anos de estudo, uma coisa me inquietava sempre: O que devo fazer para que eu seja salvo?

Eu não conseguia encontrar paz para minha alma. Constantemente ficava com medo quando me lembrava da ira de Deus e dos exemplos de castigo divino. Esses temores se tornaram mais fortes quando, de tão doente, caí por cima do suporte onde colocava os livros para lecionar em sala de aula. Depois perdi um colega de estudos, vítima de acidente. O Medo da morte me assombrava, pois nunca sabia se tinha feito o suficiente e se estava preparado para ser salvo. E em 2 de julho de 1505, quando eu voltava da casa de meus pais, uma tremenda tempestade sobreveio e um raio caiu numa árvore bem perto de onde eu estava. Pensei que morreria naquele dia, por isso fiz uma promessa para Santa Ana de que, ‘se eu saísse com vida dali, eu ingressaria num convento dos monges agostinianos’ na cidade de Erfurt.

Quinze dias depois cumpri minha promessa. Eu esperava sinceramente encontrar ali a resposta pra a minha questão sobre o que devo fazer para ser salvo? E esperava também ali, finalmente encontrar ‘um Deus misericordioso’, pois eu estava ‘enfeitiçado’ pela idéia de que fazendo boas obras e me castigando eu ganharia o perdão de Deus. Por isso, dia e noite eu me afligia com jejuns, orações e vigílias. Esperava que assim conquistaria o céu ‘à força’. Bem mais tarde percebi que estava errado. ‘Se alguma vez um monge ganhou o céu através da vida monástica, então eu também entraria nele...’.

Depois de muito estudar e buscar na Escritura a resposta para as minhas angústias, finalmente encontrei a verdade e o consolo, que tanto procurara. Quando lia o Novo Testamento, me deparei com um trecho da carta do apóstolo Paulo aos Romanos (3.28) onde diz: ‘o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei’, ou seja, a pessoas é aceita por Deus pela fé, e não pelo fato de fazer o que a lei manda.

A partir desse dia mergulhei com tudo na Bíblia, e pude perceber que o que estava sendo ensinado e praticado pela Igreja Romana não estava de acordo com o que a Palavra de Deus diz. E o irônico é que, justamente os Romanos para quem Paulo escreveu esta carta, não estavam levando a sério o que Deus disse a eles por meio do Apóstolo Paulo.

Percebi que a minha pergunta sobre o que fazer para ser salvo estava sendo respondida aos poucos. Percebi também que na época de Jesus Cristo o povo também fazia a mesma pergunta e acredito que entre vocês aí no Brasil, e em todo o mundo, muitos fazem essa mesma pergunta.

Alguns acham que precisam fazer penitências, ou fazer e pagar promessas como eu fazia no tempo em que era frade virtuoso. Eu estava tão empregado em preces, jejuns, vigílias, frio, auto-flagelação e trabalho que, se tivesse continuado por muito tempo, provavelmente morreria.

Outras pessoas achavam e ainda acham que, para serem salvas, precisam cumprir toda a lei. Mas não sabem que isso é impossível ao ser humano, pois o apóstolo Paulo escreve com muita clareza em Gálatas (5.4): ‘Os que querem que Deus os aceite porque obedecem à Lei estão separados de Cristo e não tem a graça de Deus’.

Outros ainda, acham que devem pertencer a uma determinada Igreja para serem salvos e existem outros que pensam que não podem vestir algum tipo de roupa, ou que devem deixar de comer algum tipo de alimento para se salvarem. Mas tudo isso de nada contribui para a salvação.

Enquanto eu me aprofundava nos ensinos da Bíblia, percebi que, na verdade a pergunta não deveria ser: O que devo fazer para ser salvo? Mas deveria ser: QUEM é a salvação? Ou: QUEM poderá me salvar? Pois a Bíblia é clara neste ponto onde afirma que, a salvação acontece somente pela fé em JESUS CRISTO.

Aos poucos pude compreender o que meu grande amigo e conselheiro João Staupitz me dizia: ‘Habitue-se ao fato de que Cristo é o Salvador verdadeiro e você, pecador real. Deus não brincou ao entregar seu Filho por nós’. Ou seja, meu amigo já me dizia a grande verdade do Evangelho de que o ser humano, como eu e como vocês, é pecador e precisa da salvação que vem de Cristo, pois, como diz Paulo (Gl 2.21); “... se é por meio da lei que as pessoas são aceitas por Deus, então a morte de Cristo não adiantou nada!”, e nós ainda estaríamos perdidos para sempre.

Encontrei muitas outras passagens que me ajudaram a confirmar essa minha constatação: Rm 1.17; ‘O justo viverá por fé’. Rm 4.28; ‘Assim vemos que a pessoa é aceita por Deus pela fé e não por fazer o que a Lei manda’. O mesmo apóstolo Paulo citando Davi: Rm.4.6b-8 (Sl.32) diz: ‘...bem-aventurado o homem a quem Deus atribui justiça, independentemente de obras: Bem aventurados aqueles cujas iniqüidades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos. Bem-aventurado o homem a quem o Senhor jamais imputará pecado’...

Como assim? Eu havia aprendido que Cristo era um juiz rigoroso e só apreciava as boas obras?

Graças a Deus, pude ver, pela Bíblia, que a justiça de Deus e a salvação dos homens se faz SOMENTE PELA FÉ no Cristo Salvador. Que grande amor de Deus para conosco, miseráveis seres humanos!! (Sola fide)

Finalmente compreendi e desejo que todos vocês também compreendam a verdade do EVANGELHO e as suas conseqüências para a vida do cristão. Jesus diz em João 8. 32: ‘e conhecereis a verdade e a verdade vos libertará’. Eu conheci esta verdade e por isso não desisti de levar adiante essa verdade para que vocês e tantas pessoas que ainda virão depois de vocês, conheçam a verdade que Liberta.

Em 1511, recebi a ordem de ir para Roma. Este era m antigo sonho meu. Só que ali me decepcionei completamente. Chamavam Roma de ‘Cidade Eterna’... ‘Se existe inferno, Roma foi construída sobre ele’ pois lá vi tanta roubalheira pois a Igreja Romana vendia indulgências. Estas eram cartas trocadas por dinheiro para que a pessoa que comprasse tal ‘passe’, tivesse lugar garantido no céu. Sempre achei que isso não era correto.

Também em Roma, vi prostitutas que faziam ‘promoções’ para os padres.

A igreja já não era mais Igreja, havia se transformado em um governo de homens sem interesse com o Evangelho. Ela estava cada vez mais se afastando da verdade escriturística de que Jesus é o salvador de todo homem que nele crer. E tudo isso debaixo do nariz do Papa, e ele não fazia nada.

Com a intenção de debater sobre o valor das Indulgências e o distanciamento cada vez maior da verdade de Deus, escrevi 95 teses ou pontos do ensino da Igreja Romana que estavam sendo distorcidos da palavra Bíblica e, no dia 31 de outubro de 1517, as prendi na porta da Igreja de Wittemberg. Elas logo foram traduzidas para várias línguas e logo chegaram aos ouvidos do papa Leão X.

Eu, Martinho Lutero, não sabia que aquelas afirmações teriam essa repercussão. Eu havia escrito apenas para que os professores e alunos da Universidade de Wittemberg lessem e pensassem nelas. Mas, eu tinha a certeza que tudo que escrevi estava correto, pois escrevi baseado na Escritura Sagrada. Também sabia que Deus está sempre do lado da verdade e que Deus estava agindo ali naquele momento através daquelas palavras. Deus queria e quer mostrar a verdade a todas as pessoas de todas as épocas, a mim e a vocês, pois ‘a verdade nos libertará’.

Jesus também diz: ‘se vocês permanecerem na minha palavra, vocês serão verdadeiramente meus discípulos’ (Jo. 8. 31) Mas, se a verdadeira Palavra de Deus não estava sendo proclamada e ensinada, como as pessoas iriam conhecer a verdade?

Para que existam verdadeiros cristãos e discípulos de Jesus, é preciso que haja a PALAVRA sendo ensinada de maneira clara! E SOMENTE A ESCRITURA SAGRADA É A PALAVRA DE DEUS DADA AOS HOMENS! Nada mais!

Nem a tradição da igreja, nem a palavra de homens, nem mesmo a palavra do Papa podem ter prioridade sobre a Palavra de Deus. Lembrem-se sempre das palavras do Cristo “Se vocês permanecerem na MINHA PALAVRA, vocês serão verdadeiramente meus discípulos”... (Sola Scriptura).

Somente permanecendo na PALAVRA DE DEUS (Jo. 8.32) ‘vocês conhecerão a Verdade e essa verdade vos Libertará’.

A Verdade é Cristo! Somente Cristo. O Verbo que se fez carne. Jesus não só é o anúncio do da Verdade do Evangelho Salvador, mas Ele mesmo É o EVANGELHO em pessoa, ele é a própria Verdade; ‘eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim’ (Jo 14.6).

Jesus veio ao mundo para libertar os seres humanos. E pagou um preço alto por isso, ‘não com ouro ou prata, mas com seu santo e precioso sangue e sua inocente paixão e morte’. E, SOMENTE PELA GRAÇA conquistada por Jesus por meio de sua morte em nosso favor, passamos da condição de escravos (do pecado) para a condição de libertos e Filhos de Deus. (Sola Gratia).

Desta forma somos agora verdadeiramente livres. Isso não quer dizer que temos agora o direito de fazer com nossas vidas o que bem entendemos. A nossa liberdade está totalmente compromissada com aquele que nos libertou – Cristo!

Jesus nos libertou da escravidão do pecado e da morte para sermos instrumentos úteis em seu Reino. Foi com este espírito e com esse objetivo que eu, Martinho Lutero, levei em frente o movimento da Reforma, para que outros pudessem ter acesso a esse mesmo Evangelho. Pois somente esse Evangelho da Justificação pela Fé, que é a verdade, pode trazer a liberdade para a vida de vocês e a vida da Igreja.

Deus nos mostrou a Liberdade em Cristo. E o movimento da Reforma nos libertou da opressão de um regime de lei e nos mostrou o único caminho por meio da ESCRITURA, para a salvação das almas atribuladas; Pela GRAÇA, mediante a FÉ em Cristo. Estamos livres da lei, pois Jesus, o Filho de Deus nos libertou e somos verdadeiramente Livres como Filhos amados do querido Pai.

Um Grande abraço. Dr. Martinho Lutero

PS: ‘Todos os seres humanos são como a erva do campo, e a grandeza deles é como a Flor da erva. A erva seca, e a flor cai, mas a Palavra do Senhor dura para sempre. Esta é a palavra que o Evangelho trouxe para Vocês” (1 Pe 1.25).

Publicado pela primeira vez na Revista Teologia;

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Mensagem–25 anos Cong. Redentor

DSCF9806Mensagem proferida pelo pastor Martim Stern (81) no dia 18 de agosto por ocasião do culto de 25 anos da Congregação Evangélica Luterana Redentor.