sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Anabolizantes

77894968O escândalo envolvendo Anderson Silva no exame antidoping é outra notícia ruim para nós brasileiros. Nossa moral está lá em baixo. Na política, na economia, no esporte. Nos deixa desamparados, sem pai nem mãe, carentes de bons políticos, atletas, líderes honestos que nos inspirem no esforço da vida sem o uso de "anabolizantes". O lutador Spider, como é conhecido mundialmente, foi pego no exame pelo uso de esteroides que aumentam a massa muscular e a força física, substâncias proibidas nas lutas de ringue, assim como é proibido fazer gol com a mão no futebol. Se for comprovado, sua carreira acabou. Ele sabia disto, assim como qualquer um está ciente que a mentira tem perna curta. Cedo ou tarde tudo vem à tona. Os exemplos estão aí no Mensalão, no Lava à Jato, no infortúnio de Eike Batista, enfim, nas histórias de pessoas que venceram enganando, mas que agora foram pegas no exame antidoping.

A Bíblia é um livro repleto de histórias parecidas, de trapaças descobertas e que servem de modelo para não se fazer a mesma coisa. O que distingue este livro é o caminho para encontrar forças e vencer na vida. Um jeito diferente, por exemplo, do que Anderson Silva sugere ao citar uma frase nas redes sociais nesse momento difícil de sua vida: "Saiba que seu destino é traçado pelos seus próprios pensamentos, e não por alguma força que venha de fora". Jesus lembra que “é de dentro, do coração, que vêm os maus pensamentos” (Marcos 7.21). Através do profeta, Deus já tinha dito: “Os meus pensamentos não são como os seus pensamentos, e eu não ajo como vocês. (Isaías 55.8). Qualquer um precisa entender que na batalha contra o maior inimigo, o “eu da mentira”, só mesmo uma força de fora. Por isto o convite de Jesus: “Eu sou a videira e vocês os ramos. Quem está unido comigo e eu com ele, esse dá muito fruto, porque sem mim vocês não podem fazer nada” (João 15.5). O fruto mais vistoso na união com Jesus é a própria verdade, um resultado sem anabolizante.

Marcos Schmidt

Pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil

Novo Hamburgo, 14 de fevereiro de 2015

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Deus esquecido na cadeirinha

timthumbUma displicência que custou caro.

No mesmo dia, um pai de São Bernardo do Campo e uma mãe de Belo Horizonte esqueceram suas filhas de 2 anos dentro do carro. Eles se esqueceram de levá-las para a creche, foram trabalhar e as meninas ficaram horas presas dentro do carro. Quando se deram conta, era tarde demais.

A gente fica num misto de incredulidade, indignação e compaixão.

Mas a verdade é que todos nós, em algum momento, fomos displicentes com aquilo (ou Aquele) que realmente importa.

Lembrei-me imediatamente da lenda daquela pobre mulher, com uma criança no colo, que passou em frente a uma caverna e escutou uma voz misteriosa que saía lá de dentro: “Entre e apanhe tudo o que você desejar. Lembre-se, porém, que, depois que sair, a porta se fechará para sempre. Portanto, aproveite a oportunidade, mas não se esqueça do principal”.

A mulher entrou na caverna e encontrou muitas riquezas. Fascinada pelo ouro e pelas jóias, pôs a criança no chão e começou a juntar, ansiosamente, tudo o que podia no seu avental. Então a voz misteriosa falou novamente: “Você só tem oito minutos”.

Esgotado o tempo, a mulher, carregada de ouro e pedras preciosas, correu para fora da caverna e a porta se fechou. Lembrou-se, então, que a criança ficara lá dentro, e a porta agora estava fechada para sempre! A riqueza durou pouco e o desespero, sempre.

Displicências que custam caro.

Neste ano, estabeleça suas prioridades. Aonde quer chegar? O que é mais importante ou urgente? Para o que você vai dar mais atenção? Está pensando no ter ou no ser? Na sua escala de valores, pessoas vêm primeiro? Ou são as coisas? Ou talvez o sucesso profissional?

E, acima disso tudo, pergunte-se: estou discernindo o que é melhor tendo em vista a volta de Jesus a este mundo, a salvação, e o fato de ser um peregrino aqui neste mundo? Há algo nas minhas prioridades que me afasta de Jesus e da comunhão com os irmãos que também creem nele? Consigo me organizar melhor para alimentar minha fé e, após, também descansar e me divertir?

Sem nos darmos conta, os oito minutos da nossa vida passam muito rapidamente e deixamos a criança dentro da caverna: esquecemos de Deus, da sua Palavra, do momento semanal de culto a Ele. Não lemos mais o que Ele ensina por estarmos ocupados. Não vamos mais à Casa dEle porque estamos distraídos por outras coisas. Enfim, vamos esquecendo Deus na cadeirinha.

O convite que Deus nos faz é: vamos andar juntos!

Ele certamente quer estar junto de você quando for ao trabalho, à escola, ao futebol ou quando estiver em casa, com sua família.

Mas Ele também quer estar junto de você naquela hora especial de culto, quando Ele relembra a você tudo o que fez pela sua salvação, ao enviar Jesus para morrer na cruz e pagar o preço do seu pecado. Aquela hora tão especial em que ouvimos com alegria sobre o amor de Deus e declaramos com voz e coração o nosso amor por Ele.

Não deixe Deus esquecido na cadeirinha.

2015 está no começo. Dá para rever muita coisa. E pode escrever: com Deus no topo da lista, nossas prioridades estão mais bem resolvidas.

P. Julio Jandt

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Assalto – “perdeu”

RTEmagicC_Ar.jpg       Quem ainda não foi abordado com um indivíduo anunciando um assalto? Quando isto acontece, o ladrão intimida a vítima dizendo “perdeu”. O bandido está como que num jogo. Ele fica na espreita pronto para atacar. Quando o ataque finalmente é executado, qualquer tipo de reação pode ser fatal. Ao anunciar o roubo, o assaltante também está dizendo que o jogo acabou.

       Em algumas situações não há como evitar a abordagem do assaltante. O melhor a fazer, neste momento, é reconhecer que, de fato, perdemos. Não estamos em condições de negociar e muito menos de nos defendermos. Objetos de muito ou pouco valor podem ser adquiridos novamente. A vida, jamais.

       Existe um assaltante muito mais perigoso, que se apresenta como amigo e diz que podemos possuir tudo o que quisermos. Trata-se de Satanás. Ele anuncia o assalto sem percebermos. O seu objetivo é tirar de nós a fé em Cristo. E, perder a fé significa destruição completa e eterna. 

       Satanás não se preocupa com aqueles que não têm fé. O seu alvo são os cristãos. Isto reduz consideravelmente o seu campo de ação e o torna extremamente perigoso. Ele tem tempo para esperar e atacar na hora certa. Por isso, todo o cuidado é pouco. Subestimá-lo será fatal.

       No entanto, temos alguém que é mais poderoso. Ele quer ser nosso amigo e Salvador. É Cristo. Ele nos livra da condenação por causa do pecado e está ao nosso lado para proteger. Permanecendo na fé que recebemos no batismo ou pelo ouvir do Evangelho, não há o que temer. Jesus diz: “O ladrão só vem para roubar, matar e destruir; mas eu vim para que as ovelhas tenham vida, a vida completa.” João 10.10.

       Estando com Jesus, podemos sofrer com algumas perdas, nesta vida. Os sofrimentos acompanharão os filhos de Deus. Até podemos perder bens e saúde, mas não perderemos a verdadeira e eterna vida. Lembro algumas palavras do reformador Martinho Lutero: “Se vierem roubar os bens, vida e o lar – que tudo se vá! Proveito não lhes dá. O céu é nossa herança.”

Pastor Fernando Emilio Graffunder

A água que ainda temos

meio-ambiente-02A falta da água na maior cidade do Brasil é um contrassenso parecido com a falta de dinheiro no sétimo país mais rico do mundo. Estamos sendo irresponsáveis com o que temos de sobra. Meu irmão que vive na Alemanha me explicou como funciona o uso da água por lá onde nos telhados das casas coleta-se a chuva que é usada nos banheiros, jardins etc. As precipitações das nuvens são intensas por aqui, sobretudo em nossa região. Apesar disto, querem construir grandes barragens nas nascentes do Rio dos Sinos, algo inviável em todos os aspectos. Por que não fazer "barragens" nos telhados das casas? A água vem de cima e de graça!  Tecnologia existe e os investimentos seriam menores, sem danos sociais e ambientais. Apenas um exemplo quando água não falta, o que falta é conscientização, investimentos e ações concretas.

Algo parecido acontece com outra água. Diz Jesus: "A pessoa que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. Porque a água que eu lhe der se tornará nela uma fonte de água que dá vida eterna" (João 4.14). Esta água também vem cima e sem custos: "A quem tem sede darei água para beber, de graça, da fonte da água da vida" (Apocalipse 21.6). Mas esse dom precioso é desperdiçado, jogado fora, mal usado, contaminado, trocado. "O meu povo me trocou, trocou a mim, o seu Deus glorioso por deuses que não podem ajudá-los", reclamou o Senhor no Antigo Testamento. "Eles abandonaram a mim, a fonte de água fresca, e cavaram cisternas, cisternas rachadas que deixam vazar a água da chuva (Jeremias 2.11,13).

Percebe-se que o óbvio com a água é um perigo imediato a todos, também àqueles que têm em grande quantidade. E a maior ameaça nessas horas é o desperdício. Por isto, quando existe o alerta para agirmos enquanto é tempo, no caso da água da vida o recado bíblico é contundente: "Não deixem que fique sem proveito a graça de Deus (...) Escutem! Este é o tempo em que Deus mostra a sua bondade. Hoje é o dia de ser salvo" (2 Coríntios 6.1,2).

Marcos Schmidt

Pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil

Novo Hamburgo, 31 de janeiro de 2015

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Carvalho ou abóbora?

182430_Papel-de-Parede-Abobora--182430_1400x1050Um pai, acompanhando os estudos do filho, perguntou ao diretor da escola sobre o tempo que levaria para o filho se formar.

- “Isso depende do que o senhor quer para o seu filho”, respondeu o diretor. E continuou: “Para um carvalho, árvore que se torna forte e frondosa, leva-se muito tempo. Porém, para uma abóbora, o processo é rápido e ela fica junto à terra, rasteira. O senhor quer que seu filho alcance estatura intelectual elevada e esteja forte para enfrentar os desafios da vida e ser útil para a sociedade, ou quer que ele apenas fique nos conhecimentos rudimentares e permaneça numa vida de baixo nível intelectual e pouco preparo para a vida produtiva?”

Quem já foi agraciado com a fé, pelo Espírito Santo, deve compreender que não pode deixar de buscar continuamente (educação continuada) o seu crescimento espiritual, auxiliado pela graça de Deus. Por isso, é razoável fazer um exame periódico de nossa vida, para verificar se temos feito algum progresso. O propósito de Deus é a nossa justificação e santificação, como o apóstolo Paulo escreveu: “Pois esta é a vontade de Deus, a vossa santificação” (1 Ts 4.3).

A nossa maturidade espiritual está relacionada com a santificação de nossa vida. Não é de um dia para outro que isto acontece, pois o crescimento é um processo que deve perdurar por toda a nossa vida. Velhos e maus hábitos precisam ser superados. Vícios precisam ser eliminados. Tudo, enfim, que revel fraqueza de caráter exige uma luta constante, olhando firmemente para o autor e consumador da fé, Jesus (Hb 12,2).

sábado, 20 de dezembro de 2014

Teste de Natal

Para este artigo, vamos fazer um pequeno teste, combinado?

1. Diga o nome das cinco pessoas mais ricas do mundo.

2. Diga o nome dos últimos cinco ganhadores do prêmio Nobel da Paz.

3. Agora diga o nome das três últimas vencedoras do concurso para Miss Universo.

4. Dê o nome de dez ganhadores de medalhas de ouro nas últimas Olimpíadas.

5. E, para terminar, diga os últimos doze ganhadores do Oscar.

Como foi? Difícil? Imagino que sim.

E olha que não são pessoas anônimas. São famosas, ganhadoras de prêmios.

Sabe por que o teste pareceu tão difícil?

Porque o aplauso morre, prêmios envelhecem, grandes acontecimentos são esquecidos.

Posso sugerir um outro teste? Sem pegadinha, é sério.

1. Escreva o nome de cinco professores que você gostou.

2. Pense em cinco pessoas que lhe ensinaram alguma coisa valiosa.

3. Lembre três amigos que ajudaram você em momentos difíceis.

4. Pense em dez pessoas que fizeram você se sentir amado e especial.

5. Pense em doze pessoas com quem você gosta de estar.

Mais fácil este? Imagino que sim.

Sabe por quê? Simples: porque as pessoas que fazem diferença nas nossas vidas não são as que têm mais dinheiro, prêmios ou credenciais.

As pessoas mais importantes da nossa vida são as que se importam conosco.

É exatamente por este motivo que o Natal deveria ser tão comemorado. Não pelo dinheiro, 13º, presentes, viagens ou ceias.

O [verdadeiro] Natal deveria ser tão comemorado porque ele faz diferença: ele conta a história de alguém que se importou conosco. Mais do que isso, no Natal não só ouvimos falar de alguém que se importou conosco – no Natal nósrecebemos Aquele que se importou conosco.

Aliás, é exatamente isso o que chamamos de “espírito natalino”: o sentimentoespirituoso (alegre) pelo dia natalício (nascimento) de alguém. Percebeu? Espirituoso... natalício... Temos um espírito alegre porque alguém nasceu para nós.

Esse alguém se importou tanto conosco que nasceu para que pudéssemos nascer de novo. Fez-se pobre para que pudéssemos ser ricos. Fez-se servo, para que pudéssemos ser filhos. Teve sede para que pudéssemos ser saciados com a água da vida. Foi abandonado para que pudéssemos ser adotados. Foi feito pecado, para que fôssemos tornados santos. Morreu para que pudéssemos viver.

Isso faz sentido para você? Faz sentido que você tem um Deus que se importou a tal ponto que se humilhou para que você fosse salvo? Faz sentido que, sem Jesus, você é um pecador perdido e condenado, e que, com Ele, você é um rico e bendito filho de Deus?

Se faz, então não importa muito o dinheiro, os presentes, a Ceia ou as viagens.

Natal é mesmo importante porque nele sentimos na pele e no coração que Deus se importa conosco.

As pessoas mais importantes da nossa vida são aquelas que se importam conosco. E o Natal nos ensina que Jesus, o Deus-homem-conosco, está no topo desta lista.

No teste de Natal, Jesus é sempre o mais importante e o que mais se importa. Disparado.

P. Julio Jandt

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

O Natal dos estrangeiros

reis-magosNunca houve tantos refugiados e imigrantes no planeta, gente que foge de seus países de origem, que busca proteção das guerras, perseguições, pobreza, fome, catástrofes e de outras situações de dor. Aproximadamente 175 milhões. Este número assustador tende a crescer e complicar ainda mais a situação nas fronteiras e na vida das grandes cidades. E o Brasil tornou-se porta de salvação a milhares destes sobreviventes: sírios, colombianos, angolanos, congoleses, senegaleses, haitianos e outros. Algumas entidades governamentais, civis e religiosas amenizam o sofrimento desta gente que ainda precisa enfrentar preconceito, indiferença e injustiças, mas a realidade é preocupante - aos menos para aqueles que se importam com a desgraça alheia.

Se o primeiro Natal fosse hoje, o casal do Presépio poderia ser haitiano procurando lugar para passar a noite e a criança divina nascendo sob uma marquise de uma rua cheia de gente ausente, preocupada com as compras e o limite do cartão de crédito. E a estrebaria da indiferença com o infortúnio dos outros provocando tristeza daquele que disse: “Pois eu estava com fome e vocês não me deram comida; estava com sede e não me deram água; era estrangeiro e não me receberam na sua casa” (Mateus 25.42,43). Não é por nada que a Bíblia tanto defende a vida dos que estão longe de casa: Não maltratem os estrangeiros que vivem na terra de vocês (Levíticos 19.33); Deus ama os estrangeiros que vivem entre nós e lhes dá comida e roupa.  Amem esses estrangeiros, pois vocês foram estrangeiros no Egito (Deuteronômio 10.18,19); Maldito seja aquele que não respeitar os direitos dos estrangeiros (Deuteronômio 27.19); O SENHOR protege os estrangeiros que moram em nossa terra (Salmo 146.9); Repartam com os irmãos necessitados o que vocês têm e recebam os estrangeiros nas suas casas (Romanos 12.13). E porque devemos ajudar esta gente? A própria Bíblia responde: Lembrem que vocês são estrangeiros de passagem por este mundo (1 Pedro 2.11).

Marcos Schmidt

Pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil

Novo Hamburgo, 6 de dezembro de 2014

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

“Eis aí vem o teu Rei”

Por Elvio Figur

O Advento revive a vinda de Jesus e as expectativas que cercam o Natal. Nesse tempo de espera, a igreja se renova na expectativa do anuncio; ‘Eis aí vem o teu Rei, manso e humilde sobre o lombo de um jumentinho’.

A igreja se levanta e canta com aqueles que tiveram o privilégio de saudar o ‘rei que vem’ pessoalmente dizendo ‘Hosanas ao Filho de Davi’.

Naquele tempo, toda a Jerusalém se alvoroçou...

Como o mundo de hoje que se alvoroça com tanta facilidade.

hosted2.ap_.org-152É o que acontece por estes dias com a morte do ator Roberto Gómes Bolaños, o intérprete de ‘Chaves’ e do Herói super atrapalhado ‘Chapolin Colorado’.

A internet multiplica essa comoção e esse alvoroço criando nos internautas a sensação ou impressão que, de alguma forma, ele faz parte desse sucesso todo, dessa fama...

O torcedor atleticano que foi ao estádio ver a final da Copa do Brasil no ultimo dia 26 de novembro, por exemplo, vai, por anos seguidos, poder dizer com orgulho ‘Eu estive lá!’; ‘Eu ví o Atlético ser, pela primeira vez, campeão da Copa do Brasil’.

Quem foi ou é fã de ‘Chaves’ ou de ‘Chapolin Colorado’, vai homenagear por anos o ídolo dizendo, talvez; ‘Oh, e agora? Quem poderá me ajudar?’

Ainda que em tom de brincadeira, a pergunta poderá voltar mais tarde quando o médico disser; ‘A situação é grave’. Ou quando o patrão disser; ‘Está despedido’. Ou pior, quando nossa vida estiver perto do fim... ‘Quem poderá nos ajudar?’

Em busca de respostas o mundo se inspira em seus heróis, seus ídolos, ou seu times. E a sensação é; ‘Se eles podem então eu também posso!’

Essa sensação, de querer tudo que se imagina como direito, é pura ilusão. Estar no estádio ou em um show dá a ilusão de que se faz parte da história, do sucesso, ou da vida dos jogadores, clubes, atores ou cantores. Mas, no dia seguinte, ou quando um imprevisto acontece, o que fazer com a ilusão¿ ‘Quem poderá nos ajudar’ quando se fecham as cortinas e termina o espetáculo¿

jesus e a jumentaA multidão que seguia Jesus alvoroçava-se pois tinha naquela figura humilde sobre o jumentinho, uma esperança que poderia alimentar suas ilusões. Eles cantavam Hosanas... Mas parece que se decepcionaram ... Não era o rei que esperavam e, na semana seguinte, certamente muitos daqueles estavam entre aquela outra multidão que gritava ‘Crucifica-o...’

Aquele sujeito sobre o lombo de um jumentinho era aquele herói humilde, meigo, gentil, brando... Um herói que se humilha, enfraquece... Uma espécie de ‘anti-rei’, ou ‘anti-herói’ como os personagens de Bolaños...

Ele é aquele Rei que somente o suspiro de desespero é capaz de aspirar; ‘Lembra-te de mim quando entrares no teu reino’. Assim, sem alvoroço, sem terremotos, sem efeito de luzes...

Essa é a ocasião de real encontro do ser humano com o seu Rei. Um Rei que esvazia-se de toda a glória e autoridade. E só assim os ‘pequeninos’, os fracos e abatidos, podem aproximar-se se medo e com um suspiro de fé; ‘Lembra-te de mim...’ E o Senhor não apenas lembra. Mas ele pode dizer com toda a autoridade; ‘Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso’.

Diante da pergunta inevitável; ‘Quem poderá me ajudar’, ouve-se a voz profética que diz; ‘Eis aí vem o teu Rei, Justo e Salvador!’

E não se trata de ilusão. Trata-se de Esperança, Confiança, Fé, Arrependimento, Conversão...

Infelizmente o mundo não reconhece o ‘Reino de Cristo’, e por isso não lhe rende o louvor que só ele merece.

1484e7419554b44ba6bdb3b8c2ec8456Esse mundo até se Alvoroça no período do Natal, mas é um alvoroço Vazio, Ilusório... Falta-lhe o essencial. Falta-lhe colocar-se ao lado do malfeitor na Cruz, esperar confiante pela resposta de nosso herói ao suspiro de desespero e confiança; ‘Lembra-te de mim...’

Falta-lhe reconhecer sua dependência e deixar de lado o orgulho para ouvir a voz que anuncia; ‘Eis aí vem o teu Rei!’

O advento Revive a encarnação do Verbo divino. E nesse tempo de espera, a igreja se alegra e se renova na expectativa do anuncio; ‘Eis aí vem o teu Rei, justo e Salvador!’ E ela faz isso ‘Vivendo e anunciando o que o Senhor tem feito na Vida, a partir da Graça de Deus!’

‘Eis aí vem o teu Rei!’ Esse é o anuncio que a igreja faz ao mundo que jaz perdido em seu alvoroço natalino carregado de ilusões.

FICA A DICA: NÃO FUI EU!

aaa     É incrível como não sabemos lidar com a culpa. Ela tortura, pesa e massacra. Mesmo assim, preferimos anestesia-la com morfina barata: “não fui eu”. A culpa é quase sempre do outro. Se briguei é porque a outra pessoa estava errada, se o casamento não deu certo é porque a esposa estava errada, se não gosto de louvar a Deus e ouvir sua Palavra no culto é porque os bancos são duros, se fui mal na escola é porque a professora é chata. Sempre a culpa é do outro. A morfina barata tenta fazer adormecer a consciência que berra e atormenta.

    Não fui eu, foi ele. Exatamente assim começou a vida depois da primeira desobediência a Deus. Depois de tentar se esconder de Deus por ter caído em pecado, Adão foi questionado pelo Senhor: “Por acaso você comeu a fruta da árvore que eu o proibi de comer?” (Gênesis 3.11). Se banhando nesta morfina barata, Adão logo responde: “A mulher que me deste para ser a minha companheira me deu a fruta, e eu comi” (Genesis 3.12). Não fui eu, foi ela. Grande Adão! Mas não para por aí. Deus também perguntou à mulher porque ela desobedeceu. E adivinha se a Eva assumiu a culpa? “A cobra me enganou e eu comi” (Gênesis 3.13). Também não fui eu! Grande Eva! Se embebedou com a morfina barata que tenta aliviar a consciência!

    A humanidade não sabe lidar com a culpa. Eu não sei. Você não sabe. É fácil viciar-se na morfina barata de apenas dizer “não fui eu”. Mas eu gostaria de lhe oferecer um bálsamo verdadeiro, não uma morfina barata: “E nós pensávamos que era por causa das suas próprias culpas que Deus o estava castigando, que Deus o estava maltratando e ferindo. Porém ele estava sofrendo por causa dos nossos pecados, estava sendo castigado por causa das nossas maldades. Nós somos curados pelo castigo que ele sofreu, somos sarados pelos ferimentos que ele recebeu” (Isaías 53.4-5). Jesus. Ele assumiu a minha culpa, a sua culpa. Pagou por ela. Morreu e ressuscitou. Garantiu perdão ao arrependido. Ensinou a olhar a culpa de frente e dizer: “Fui eu. Me perdoe”. Dizer isto ao próximo. Dizer isto a Deus!

    Então fica a dica: eu e você não sabemos lidar com a culpa. É difícil enfrentar e confessar este sentimento. Fácil é dizer “não fui eu”. Aliás, até mesmo autoridades políticas do nosso Brasil adoram esta morfina barata chamada “não sei de nada”. Deixe sua culpa ser tratada pelo bálsamo da Vida: Jesus. Nele há perdão e recomeço. Nele aprendemos a enfrentar a culpa. Pedir perdão e perdoar. Esta é a fé cristã!

Pastor Bruno A. Krüger Serves - Congregação Evangélica Luterana Cristo, Candelária-RS

Barganha na política e na religião

1643Duas frases são usadas para descrever a barganha. Uma delas diz: “É dando que se recebe”. A outra: “Toma lá da cá” A primeira faz parte da oração de São Francisco de Assis. Tem um tom mais bonito, religioso e até mesmo generoso. A segunda já revela algo mais explosivo, mas vingativo, desordeiro.

Estas duas expressões foram usadas para descrever a atitude da base aliada no congresso, que afirmou que aprovaria algumas emendas, somente se fosse aprovado a diminuição da expectativa de superávit primário, aparentemente para fazer de conta que as coisas não estão tão mal. Indiretamente eles dizem que somente vão aprovar outras leis de interesses gerais, se esta primeira for aprovada. Ou seja: um “toma lá, da cá”; ou “é dando que se recebe”. Nada de novo quando o assunto é políticagem, com seus meandros e interesses.

Porém, apesar de dolorido, preciso lembrar que no relacionamento com Deus, muitas pessoas e inclusive aqueles que se intitulam religiosos ou mestres, igualmente trabalham neste sentido. Usam a lógica humana para regimentar a relação e inclusive a ação de Deus. Então, baseados nesta filosofia, orientam cerimônias e esquemas para acalmar a divindade, uma oferta aqui, um sacrifício lá, uma promessinha ali, uma doação acolá, como se Deus precisasse dos nossos favores, ou como se fosse um menino dengoso que só ajuda quando ajudado.

Pois leiam o que está escrito em Is (1.11-13): O Senhor diz: “Eu não quero todos esses sacrifícios que vocês me oferecem. Estou farto de bodes e de animais gordos queimados no altar; estou enjoado do sangue de touros novos, não quero mais carneiros nem cabritos. Quando vocês vêm até a minha presença, quem foi que pediu todo esse corre-corre nos pátios do meu Templo? Não adianta nada me trazerem ofertas; (...) pois os pecados de vocês estragam tudo isso. (Is 1.11-13).

Deus não age por meio de barganha, mas por meio da sua graça (Ef 2.8-9). A graça é um diferencial divino. Não é a toa que se diz que errar é humano, mas que perdoar é divino! Deus age não motivado pelo poder de barganha, não é motivado pelo que o homem fez ou deixou de fazer. Ele é motivado pelo seu amor incondicional. E o amor é exatamente o modo pelo qual ele deseja que nos relacionemos. Nossa relação com Deus deve ser por meio da fé ativa no amor. (Gl 5.6).

Mas como podemos amar a Deus? O único jeito de amar verdadeira e concretamente a Deus é amando as pessoas em suas necessidades. (1 Jo 4.20) Neste momento não deve prevalecer um “toma lá da cá”, nem um “dando que se recebe”, mas muito antes, a frase atribuída a Jesus ao dizer: “melhor é dar do que receber!” (At 10.35).

Na perspectiva com Deus, funcionaria uma lógica inversa as frases iniciais. Isto é, antes de dizer, “é dando que se recebe”, valeria bem mais dizer: “é recebendo, que se aprende a dar” – pois efetivamente “nós amamos porque Deus nos amou primeiro!” (1 Jo 4.19).

Pastor Ismar L. Pinz

Comunidade Luterana Cristo Redentor

Pelotas, RS